27/04/10

28 de Abril



Hoje é dia de Lua Cheia, fenómeno que ocorre por volta das 13 horas, mas que apenas podemos observar a partir do pôr-do-sol, pelas 20 horas e 27 minutos, do lado oposto, a nascente, quase no mesmo lugar onde amanhã nascerá o Sol.


M de Malhoa


28 de Abril



Auto-retrato de José Malhoa, desenhado em 1906, Museu José Malhoa, Caldas da Rainha.



É hoje um dia especial para Caldas da Rainha por dois motivos, um por ali ter nascido em 1855 José Malhoa [1855-1933], que estudou Belas Artes, foi o primeiro Presidente da SNBA - Sociedade Nacional de Belas Artes, membro do Grupo do Leão, pintor português de paisagens e rostos e um dos introdutores da pintura naturalista em Portugal. O outro motivo é que também faz anos o Museu José Malhoa, inaugurado no aniversário do seu nascimento em 1934.


A criação deste museu ficou a dever-se a António Montês [1896-1967] que desde 1924 sonha com uma homenagem da terra ao seu pintor e promoveu a Liga dos Amigos do Museu José Malhoa em 1932, a que o homenageado aderiu com a oferta dos primeiros quadros e desenhando um retrato do próprio António Montês. No ano seguinte, a 17 de Junho, é assinado o despacho ministerial que cria oficialmente o Museu e alguns meses depois morre José Malhoa. O Museu José Malhoa é inaugurado no aniversário do pintor em 1934, em instalações provisórias na “Casa dos Barcos”, no Parque D. Carlos I, cedida pelo Hospital Termal, passando a denominar-se Pavilhão Rainha D. Leonor. O núcleo central das instalações actuais é inaugurado a 11 de Agosto de 1940, inserido no Programa das Comemorações Centenárias da Província da Estremadura a que o mesmo António Montês preside.


Sobre a obra de José Malhoa o livro a ler na Biblioteca é A arte em Portugal no século XIX, volume II: terceira parte (1880-1910) e quarta parte (depois de 1910) de José-Augusto França, com muitas ilustrações;


Sobre a sua vida encontramos dois livros: José Malhoa - pintura portuguesa / século XIX da autoria de Paulo Henriques e Malhoa íntimo da autoria do próprio António Montês, numa edição do Museu.


Dois artigos sobre José Malhoa completam a visão e o contexto da vida de José Malhoa - um na revista História, número 79 de Setembro de 2005 e outro na revista Aprender a olhar, número 5, de Fevereiro / Março de 2003.






C de Vitamina



“Vitamina C


Quando Vasco da Gama chegou à Índia em 1498 só levava 60 dos 160 homens que tinham partido com ele de Lisboa. Os outros tinham morrido pelo caminho com uma doença que dava fraqueza, depressão, irritabilidade, falta de ar, dores musculares. As gengivas e o nariz sangravam. A face ficava pálida e acinzentada. Vinha febre, mais hemorragias, infecções. E finalmente a morte.


Percebeu-se muito mais tarde que esta doença se devia à falta de vitamina C e que só surgia três meses depois da partida, tempo durante o qual se esgotavam as reservas do corpo. Tratava-se do escorbuto, doença que foi descrita desde a Antiguidade. Figura em descrições de papiros egípcios de Tebas datados de 1550 a. C. O Antigo Testamento, que é uma recolha da tradição oral do Médio Oriente e que foi escrito entre 1100 e 500 a. C. descreve a doença. E Hipócrates, em 450 a. c., descreve o escorbuto como uma doença dos soldados, prestando o habitual cuidado aos vários sintomas e sinais. E quando na História de Saint Louis escrita em 1309, se relata o desastre das sétima e oitava cruzadas percebe-se que o que dizimou as tropas foi o escorbuto.



Curiosamente, estes marinheiros e soldados exploradores tinham algo a aprender com os índios. Quando em 1535 os soldados franceses desembarcaram no Canadá foram salvos por uma bebida que os índios Hurons lhes recomendaram - uma infusão de agulhas de pinheiro.



Alguns anos depois, os navegadores ingleses aprenderam a dar plantas e frutos aos marinheiros quando tocavam terra e há mesmo um comandante que lhes dava «3 colheres de sopa de sumo de limão todas as manhãs». No final do século XVIII já a Royal Navy fazia publicar um decreto que obrigava a junção de meio copo de sumo de limão à ração diária.

Que a solução para evitar o escorbuto estava no limão e noutras plantas e frutos percebeu-se. O que é que havia nestes vegetais que evitava esta doença, só muito mais tarde se veio a descobrir.

Por volta de 1922, um célebre bioquímico húngaro, Szent-Gybrgyi, ligado à descoberta das vitaminas, ocupava-se então a perceber porque é que as maçãs e as peras, quando ficavam tocadas, se cobriam de manchas cinzentas. E concluiu que simplesmente havia uma oxidação. Mas concluiu também que essa oxidação era impedida por uma substância existente nas couves e nas glândulas supra-renais, porque ela própria se ligava ao oxigénio e o bloqueava, impedindo a oxidação dos compostos do alimento. Isolou aquilo que veio a ser chamado vitamina C e que também já se suspeitava que fosse a substância anti-escorbuto. E com essa descoberta e a sua vida de investigação veio a receber o prémio Nobel.”

Encontras esta história sobre a vitamina C [também conhecida como ácido ascórbico] no livro de Isabel do Carmo, Alimentação saudável, alimentação segura, 1ª ed, Lisboa, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2004, páginas 225 e 226, onde ainda se pode saber muito mais por exemplo onde se encontra a vitamina C - “As melhores fontes são o vegetais, sobretudos os ácidos, frescos e crus” escreveu ela.


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